Guest Post – Relato de uma Brasileira em Trabalho de Parto nos Estados Unidos

Prima e Marli,

 
Estou escrevendo para as duas juntas, porque o tempo com o baby anda meio escasso… mas como as duas para mim são irmãs posso escrever sem reservas.
 
Domingo dia 17 já estava com 39 semanas, e na hora de ir para a igreja senti que estava com uma pressão anal …parecia que algo queria sair que eu queria ir no banheiro sei lá…
 
A noite comecei a ter contrações, e foi assim a noite toda. Como na segunda tinha consulta, resolvi esperar até de manhã. Ás 7h fui para hospital depois de passar a noite toda embaixo do chuveiro.
 
Cheguei no hospital e me disseram que ainda não tinha dilatação mas que o trabalho de parto havia começado. Me mandaram para casa esperar as dores piorarem – como se aquilo pudesse ficar pior. Mas ficou. Voltei para casa chorando de dor… 5 horas depois as dores pioraram, voltei para o hospital… e pedi que me internassem pois eu não voltaria para casa.
 
Na mesma hora me internaram. Fui colocada no soro e com medicamentos. Mais de 30 horas depois eu ainda estava lá morrendo de dores, que aumentavam e aumentavam. Recebi uma epidural para aliviar as dores, mas não funcionou. Depois fui saber que ela funciona da área púbica para baixo, e, sendo assim,  as contrações são sentidas da mesma forma.
 
Na terça-feira às 13hs, pensei que iria morrer. Quando uma médica apareceu eu disse não aguentaria mais…e ela me disse que já tinham induzido o parto…mas eu não dilatei mais….dilatei ate 8 e parei. Foi quando ela constatou que eu já tinha sofrido demais e que a solução seria uma cesárea. Em 4 minutos meu bebê nasceu.
 
Recebi o tratamento mais digno do mundo. Os melhores profissionais, médicos, enfermeiros, um cuidado sobrenatural que não teria no Brasil, minha terra.
 
Pessoas que sabiam que eu era estrangeira, e que por isso estava vulnerável, assustada e com muito, muito medo. Todos me encheram de amor e carinho, todo tempo.
 
Agradeço a Deus por ter tido esse bebê aqui, e hoje ele está com 15 dias. Fofo demais! Apesar das dores e da tentativa por um parto normal, aqui é tudo seguro. Assim que nasceu, meu filho recebeu um chip no pé para não haver nenhuma possibilidade de roubo. O pai ficou ao lado dele o tempo todo – desde a saída da barriga até a hora de ir embora. Simplesmente incrível!

 


Alguns dizem que esquecemos de toda dor após o nascimento de um filho. Minha conclusão é que isso não é verdade. As dores continuam, mas a força de suportá-las ao olhar para o bebê são infinitamente maiores.
Amo vocês.

 

 Ana Paula, Cris e  Cristopher

 

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